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O "suficiente bom" da ciência nas psicoterapias

  • Foto do escritor: Eva Nogueira
    Eva Nogueira
  • 25 de set. de 2025
  • 1 min de leitura

Na psicoterapia, não existe a ciência perfeita — existe a ciência suficientemente plural para sustentar a vida em relação.


Já Winnicott dizia que uma mãe não precisa de ser perfeita, mas “suficientemente boa”: capaz de responder de modo adequado às necessidades do bebé, com falhas, reparações e ajustes que favorecem o desenvolvimento do mesmo. Desta forma, sugiro pensarmos algo semelhante em relação às psicoterapias e à ciência.


Todas as abordagens, sem exceção, implicam ciência. A diferença está no modo como cada uma a exerce: algumas apoiam-se mais em dados quantitativos, outras em análises qualitativas, mas ambas são formas legítimas de produzir conhecimento. Não existem abordagens superiores— cada uma é “suficientemente científica” para os seus objetivos. O risco é cair na tentação da “ciência perfeita”, tal como na “mãe perfeita”: rígida, uniformizada, sufocante.


A riqueza da clínica está precisamente na pluralidade dos modos de ser científico, desde o laboratório experimental até à hermenêutica da relação terapêutica. Umas medem, outras interpretam.


Assim como o bebé cresce num ambiente suficientemente bom, a psicoterapia floresce num campo científico suficientemente diverso. É na diversidade que a clínica respira. Tal como a criança cresce no colo de uma mãe suficientemente boa, a psicoterapia floresce num campo científico suficientemente plural, onde métodos diferentes se encontram para cuidar do mesmo: a vida humana em relação.


 
 
 

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© 2025 por Eva Nogueira | Psicologia Clínica

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